A Palavra em PH
A Palavra em PH
O Eu Sou da Sarça
Êxodo 3 e 4
Difícil exagerar a importância do relato em Êxodo 3 e 4. Primeiro para a história de Israel. Deus está preparando seu povo para que, por meio de Moises, Deus o leva de volta a terra prometida. Deus está a cumprir a sua promessa que ele primeiro deu a Abraão depois a Isaque, e depois a Jacó. Esta verdade, que Deus fala e cumpre as suas promessas, já é grande lição. Israel, ao longo da sua história precisava lembrar disso. E nós? Será que não precisamos ser lembrado que Deus cumpre suas promessas?
Quanto isso, na grande arca da história da redenção, os hebreus tem que morar na terra prometida. Tem que ter uma nação, um reino dos israelitas. A benção prometido a Abraão vai vir por meio do Filho de Davi que vai nascer na terra prometida. Israel não pode ficar no Egito. Quando consideramos os primeiros capítulos de Êxodo percebemos que não há Faraó que pode resistir O Yahweh, o Senhor.
Então, todo este movimento no inicio do livro de Êxodo—um nação forte sendo destruído e um povo perseguido liberto— vai terminar com a salvação que hoje celebramos em Cristo Jesus, semente da mulher, benção de Abraão, e Filho de Davi. Isto também é razão mais do que suficiente para estudar estes capítulos.
Ao longo do relato observamos o que serve como forte alento para nós: Deus fala, ele comunica conosco e ele cumpre o seu falar. Pois esta é a questão que todos nós temos que responder. Você tem essa duvida no seu coração. Deus é confiável? Ele faz o que fala? Jesus disse que precisamos construir nossas vidas na palavra dele pois será como uma rocha para nossas vidas. Mas duvidamos se isso é verdade. Somos tentados a voltar para a areia de sabedoria humanista. Esta é a questão que temos que responder. Deus é confiável? Sua palavra se cumpre? Ele é digno de ser seguido?
Então observamos e lemos este relato com nossos olhos abertos, pois não é um drama sobre sobre justiça para um povo perseguido. O propósito desta história é doxológico: vamos adorar a Deus por quem ele é ou não? Serviremos o Yahweh ou voltaremos para os outros deuses? Seguiremos ele ou não?
Romanos 11 v36: “Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas, a ele seja a glória para sempre. Amém!” A história do Êxodo tem tudo a ver com nossa adoração do Deus verdadeiro. Podemos afirmar com Paulo que “para ele são todas as coisas?” Isto é adoração em espirito e em verdade. Bem, se você, como eu tenha dificuldade com isso, Êxodo 1-4 é para nós. Precisamos conhecer quem é que seguimos. Ao partir para Êxodo 4, olhamos mais uma vez de volta em Êxodo 3.
I. O Chamado de Deus é Gracioso.
Começamos a observar isso em verso 4. Deus vem ao encontro com Moises e é um encontro inesperado. Alias, por tudo que parece, Moises vivia em Midiã, não como um israelita, mas como um midianita. Ele tem aqui 80 anos de idade. E embora seu nascimento e sobrevivência era sobrenatural, ele passou sua infância e juventude como um filho de Faraó, não de Jacó. E enquanto sua família sofria, ele passava bem. Ao deixar Egito, ele saiu como um refugiado, correndo porque não tivera o respeito dos seus irmãos israelitas. Ele era foragido pois Faraó quisera mata-lo. Sua condição humilde como pastor deixa muito para desejar para dar em libertação.
Será que Moises lembrou quem era o Deus dos seus pais? Pessoal, 40 anos faz algo para nossa memória. Não é por acaso que Moises tem que perguntar, “Peraí, quem é o Senhor que está me mandando para o Egito?” Em seguida veremos em capitulo 4 como ele nem estava criando seu filho como um menino hebreu. Mesmo assim, Deus chamou este Moises. O Moises que havia desistido, esquecido. Não o Moises que era auto confiante, matando um, se metendo com outros. Mas este Moises perdido. Porque o chamado de Deus é gracioso. Deus não chama por mérito. Alias, é apesar do desmérito que Deus chama. Moises perdeu suas qualificações, ele mesmo desacreditou ser possível, capitulo 4. Mas isso não muda os propósitos de Deus.
Lembramos o que é graça: um favor imerecido. Para que a glória pertencesse a Deus quem chama e não aos chamados. Isto é o que vemos do inicio ao fim da Bíblia. Aqui em Êxodo 3 estamos no quinquagésimo terceiro capitulo da Bíblia e este padrão já é claro. O chamado de Deus é gracioso.
Como no caso e Adão, escondido no jardim, sentido culpa e medo, envergonhado do seu corpo pela primeira vez, e ele escuta a voz de Deus o chamando. Em vez de morrer ele recebe uma promessa. Como no caso de Noé recebeu favor nos olhos do Senhor. Ou Abraão que era um pagão idolatra quando foi chamado por Deus.
E assim vai. Lembra dos irmãos de Davi, cada um mais bonito e forte do que o próximo? Samuel pensava ao ver, esse aí é presidencial. Mas Samuel aprende que Deus não olha como os homens olham. O chamado de Deus é gracioso. Era graça Deus chamar Moises desde a sarça. Como é graça chamar você e eu. Meus amados, não é que somos melhores do que o outro que conhecemos a Deus. Se fosse assim, não seria graça. Mas Deus chama as coisas fracas, deste mundo, para que a glória seja toda dele.
II. O Chamado de Deus requer uma entrega total.
Isto é o final de verso 4. “Eis me aqui” disse Moises. Esta frase não é somente uma declaração espacial para que Deus pudesse saber onde Moises estava. A expressão é como dizer, “estou aqui, à disposição.” Moises não vai ter suas duvidas, como lemos e veremos em capítulo 4. Mas ele começa bem. É dizer, “Eis me aqui faça comigo o que precisar, seja feita a sua vontade, quero cumprir a sua palavra.”
Quando Abraão conversava com seu filho Isaque para fazer aquele sacrifico no monte Moria era a resposta dele ao anjo que o chamou para parar a execução. É o que Isaias disse a Deus quando viu a gloria do Senhor, e ouviu os anjos cantando e Deus perguntando, “Quem irá por nós?”
Isto é responder ao chamado gracioso. É prontidão para ser um praticante da palavra e não somente um ouvinte. Mas não que se diz isso uma vez no inicio e então pode seguir a vida como bem quiser. Para quem segue o Senhor dizer, “eis me aqui” é uma postura, um estilo de vida não um evento único. Veremos no próximo capitulo, que Moises tivera problema com isso. Ele disse ao Eu Sou “o senhor errou.” Tá errado hein.
Eu acho que é contra isso que o Senhor Jesus nos alertou quando ele disse que tá errado dizer ao Senhor, “Eu te sigo Senhor mas antes me permita a…” (Lucas 9). No meu pais morreu recentemente um cara famoso por sua arte e historias em quadrinhas, o criador da personagem Dilbert. Scott Adams morreu de câncer. Pouco tempo antes de morrer ele refletia sobre a sua morte e comentou que não tivera nenhuma intenção de seguir a Cristo, mas que nenhum amigo crente dele precisava se preocupar pois a sua intenção era aceitar Jesus no seu leito de morte. Ou seja, ele dizia, “Eu te sigo Senhor, mas antes, me permita a viver como eu quero.” Agora, Deus é o ultimo juiz do coração do homem mas Jesus no avisou quanto este tipo de pensamento. “Ninguém que põe a mão no arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus.” O Chamado de Deus requer uma entrega total.
III. O Chamado de Deus é Santo.
Isto é versículos 5 e 6. Se Moises tivera uma inclinação que o Deus dos seus pais era um deus tribal, sujeito a uma força maior, ele está precisando entender a santidade de Deus. Somos inclinados a achar que Deus é o nosso amiguinho que luta por nós sempre que precisamos. Ou o talismã que ativamos com um sacrifício, talvez uma oferta ou por participar da Ceia do Senhor. Tal deus pode ser manipulado, atende as nossas demandas. Mas o Deus que chamou Moises era diferente. Pois a primeira coisa que Moises escuta é a advertência que ele não deve se aproximar. É a sarça em chamas, mas este fogo é um perigo para o imundo que chega perto dele. Matthew Henry observou, “Deus o alertou contra a irreverência, contra uma aproximação precipitada.” O chão era santo porque o Deus que estava na sarça é santo. Porque Deus é santo, seu chamado é santo, mas Moises não é. Busquei uma palavra contrária ou oposta a palavra santa e google me deu a palavra “humana” como a primeira opção. Deus é Santo. Moises é humano.
Isto é correto porque há uma diferença fundamental entre Moises e Deus que Moises precisa respeitar. E ninguém se aproxima a Deus a não ser que Deus mesmo faça uma provisão. Veremos isso quando o povo chega a Sinai em alguns capítulos. Mas precisamos pensar hoje sobre isso. Porque perdemos em geral o temor de Deus que é fruto de um entendimento correto sobre a santidade de Deus.
Lembra a história do coitado Uzá, co-piloto da carroça de boi que levava a Arca de Deus de votla a Jerusalem, sob as ordens do Rei Davi? Quando o boi tropeçou e a Arca balançou Uzá estendeu a mão para segurar a arca. E Deus o matou. Davi ficou irado com Deus por isso. Eu ao contar a história fico desconfortável, tentados a dizer, “Puxa Deus, severo não?” Mas o autor do relato em 2 Samuel explicou que o ato de Uzá era uma irreverência. Por que? Ele salvou a Arca! Mas Davi não entendeu, Uzá não entendeu, se não cuidarmos nós não entendemos. O que é que vai contaminar a Arca? Não vai ser a terra. É o imundo que não pode contaminar a santidade.
Então olhamos para Moises, prostrado, sem sandália, com seu rosto coberto e lembramos que se Deus não fizer um caminho, somos todos prostrados do lado dele, longe, sem sandálias, com o fogo da sarça queimando o nosso rosto. Porque o chamado de Deus é santo, pois Deus é santo.
IV. O Chamado de Deus tem base na Pessoa de Deus.
O que significa YHWH? Bem, não tenho coragem tentar a pronuncia hebraica com Pastor Davi fez para nós semana passada. Alias se você estava conosco, vai lembrar que Pastor Davi já respondeu a esta pergunta. Só quero reforçar o que já ouvimos.
Se é que você vai confiar no Senhor, se vai esperar nele, então vai precisar entender bem o que implica o nome, “Eu Sou.” Você precisa agir quando Deus atrasa? Meu amigo, Deus não atrasa. E para convencer o nosso próprio coração disso, precisamos lembrar quem é o “Eu Sou.” Quero destacar 6 características antes de concluir.
A. O Eu Sou é auto existente. Ele não necessita de ninguém nem de nada. Em si mesmo ele tem, produz, faz, e termina. Ele é auto-existente porque não tem quem O gerou, não tem sucessor, e não precisa de nada para ser mais ou menos que ele é. Por ser auto existente, ele é auto suficiente. Pois não tem quem possa suprir as suas necessidades. Ele não tem origens, pois ele nunca começou e não tem fim.
B. Ele é Eterno. Ou seja, ele não falou “Eu era,” nem “Eu serei.” De eternidade a eternidade, “eu Sou.” Sem começou e sem fim ele é quem criou o tempo. Por isso não haverá quem vem depois ele e não haverá tempo quando ele não é. Ele é eterno.
C. O Eu sou é presente. Ele é presente porque não está em outro tempo, ou de outra época. Ele está presente, ou onipresente, está em todo lugar porque ele é. O Eu Sou não havia esquecido do seu povo, nem podia esquecer da sua promessa. E porque ele está em todo lugar, ele é soberano. Ele pode executar os seus propósitos porque ele está em todo lugar.
D. Ele é imutável. Ele é “eu sou.” Entretanto ele não cresce, não aprende, não muda, não se transforma, ele não melhora, nem diminui. Ele não volta para trás. Ele é imutável. Ele é. Então ao falar ontem é como se fosse terá falado amanhã. Este que sabe discernir entre o que aconteceu ontem e o que acontecerá amanhã não pode ficar surpreendido por uma ocasião inesperado, ou uma resposta inadequada. A sua verdade é como ele é. E amanhã acordaremos com novos desafios, novos pensamentos, novas ideias e arrependimentos. Mas o eu Sou não é assim. Ele é imutável.
E. Ele é simples, conhecível. Ele é o eu sou. Entretanto necessitamos conhece-lo e podemos conhece-lo. Ele é simples, pois não ficou para a história, não tem camadas de deuses que precisamos chamar, antes de chegar nele. Isto é o mundo de mitologia e de super-heróis. Estes semideuses precisam dos seus martelos mágicos e seus amigos que tem escudos mágicos. Ele é simples porque ele é o Eu Sou. Ele é tudo. Em Atenas adoravam um que não conheciam. É o Eu Sou. E embora no espiritismo pode se buscar chamar um espirito mais poderoso ou subir de degrau no pirâmide de força, ele simplesmente é. Não precisamos ofertar hoje para o santo que cuida da prosperidade e amanhã para o deus da serra e da chuva, e no outro celebrar a festa daquele que cuida da fertilidade. Ele é o Eu Sou. Como Paulo escreveu, “ao Rei eterno, imortal, invisível, Deus único.” I Timóteo 1 v17.
F. Sim, o Eu sou é o Unico. Não há outro, não tem rival. Como um pastor disse, “Ele é o Eu Sou para que os demais podem dizer, “Eu não sou.” Moises vai precisar lembrar disso. Pois Faraó se achava divino. Seu corte todo achava ele dotado como os deuses. Mas ele não é. Há um somente.
Conclusão
Pronto, Moises ainda tem alguma duvida, como veremos. Deus vai cuidar das suas duvidas. Mas antes de tudo, Moises precisava saber quem estava o chamando. Será que este conhecimento não precisamos lembrar também? É o conhecimento que nos levará a dizer a ele, “Eis me aqui.”
Pois isso é a pergunta que você responde todos os dias. Amanhã você vai obedecer a Deus? Irmãos, alguns de vocês estão bem engajados nesta batalha. Vocês estão querendo seguir o Senhor e estão batalhando contra o pecado todos os dias. Vem pros cultos, fazem da leitura da Palavra uma pratica diária, compartilham o evangelho. Amado, não tire seus olhos do grande Eu Sou. Ele é vai lhe sustentar.
Outros de vocês estão curiosos. Vem aqui, acha interessante mas não estão convencidos que isto é de fato o que você quer para sua vida. Você precisa conhecer o grande Eu Sou, um Deus que não cabe no seu bolso, um Deus surpreendente, mas cheio de graça, de perdão e o amor que você procura. A sua duvida é o que? Se vale a pena? Se é a verdade? Não anda mais na escuridão mas escuta a voz de Jesus chamado para você, “Venha a Mim,” ele disse, “todos os sobrecarregados e cansados.” Você não vai ter o alivio que Jesus promete a não ser que você venha a ele.
Outros de vocês estão brincando com o fogo da sarça. Dizem que são crentes, confessem a Cristo, mas dão pouco caso ao Senhor e seu chamado. Em vez de dizer, “Eis me aqui” estão a dizer, “Deixo eu ver se o negocio está bom.” Pessoal, Deus é gracioso, mas ele também é um fogo consumidor. Cuidado ao sentir confortável tomando a ceia e contando louvores enquanto você pretende sair daqui e voltar para os mesmos pecados. Recentemente um jovem saiu da nossa comunidade porque ele decidiu que não queria seguir a Deus seguir seus próprios desejos pecaminosos. Foi uma decisão trágica. Mas pelo menos ele estava honesto. E se é que você pretende continuar abandonando os cultos, mentindo para seu chefe, manipulando seus colegas, brigando com seus filhos e cônjuge, e visitando aquela site na internet, cuidado! Considere a santidade de Deus e lembre do grande Eu Sou.
Jó precisava lembrar. Ele se defendeu, insistiu, reclamou, se queixou. E se alguém na face da terra tivera razão, é o nosso irmão Jó. Sou que como os puritanos disseram, o que sofremos aqui na terra é sempre menos do que merecemos. E Deus veio ao seu encontro para confrontar o coração dele. Jó tivera sabedoria para ser juiz da sua própria vida? E então Deus aponta para o mundo natural para ilustrar que Jó não tem como explicar o mundo natural, muito menos vê seu próprio coração. Jó respondeu:
“Então Jó respondeu ao Senhor e disse: ‘Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos podem ser frustrados. Tu perguntaste: ‘Quem é este que, sem conhecimento cobre os meus planos?’ Na verdade, falei do que eu não entendia, coisas que são maravilhosas demais para mim, coisas que eu não conhecia. Disseste: ‘Escute, porque eu vou falar; farei perguntas, e você me responderá.’ Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem. Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza” (Jó 42).
Que nosso irmão Jó serve de exemplo para nós. Oremos.